Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Instituto Público

Um ponto de encontro de ideias.

Instituto Público

Um ponto de encontro de ideias.

A primeira oportunidade da esquerda é a última de Costa

Antes de mais, assuntos domésticos: como devem ter reparado através da página de facebook do Instituto Público, este espaço vai deixar de ser um palanque solitário. Recentemente adicionámos ao nosso ‘plantel’ a Mafalda, o Rodrigo, a Laura e a Catarina, que, por virem de perspectivas diferentes, vão certamente adicionar qualidade ao IP. Bem-vind@s!

Não vou falar sobre o discurso de Cavaco de sexta-feira passada. As reacções foram, ainda que por razões diferentes, surpreendentemente unânimes a concluir a verdadeira trapalhada, diga-se não sem eufemismo, que o discurso de Cavaco adensou. A decisão não foi surpresa para ninguém e, de resto, não se pode esperar muito mais de um Presidente que foi sempre o fiel da balança…de um dos lados. Além disso, Cavaco-Presidente é azelha e isso também já sabemos há muito. A primeira parte explica o conteúdo, a segunda - a azelhice - explica a forma desastrada como Cavaco anunciou a sua decisão ao país. Tenho tanta pena quanto Cavaco parece ter de ser ele o Presidente da República actualmente e estar a passar por isto; Cavaco não tem arcabouço para lidar com uma situação destas. De resto, o Rodrigo fez uma boa análise aqui e revejo-me na maior parte, sobretudo na conclusão.

Prefiro debruçar-me sobre o assunto que Cavaco pretendia discutir mas cuja azelhice acabou por relegar para segundo plano: o governo de esquerda que Cavaco sabe que por mais fitas que faça vai ter de viabilizar daqui a pouco tempo. De facto, Portugal nunca viveu uma situação política assim - se é verdade que a força política mais votada foi a coligação de direita, a direita não tem maioria. Por isso, até compreendo que Cavaco tenha indigitado Passos Coelho como primeiro-ministro, mesmo que esse seja um exercício fútil (e que mais fútil ficou depois do discurso de Cavaco ter eliminado qualquer hipótese de subversão no centro-esquerda que viabilizasse o governo da coligação). Mas a coligação já é história; vai cair e pronto. Cavaco tem um Parlamento acabado de eleger e está a ficar sem tempo para convocar novas eleições - a única solução de governo que este Parlamento consegue produzir é um governo PS apoiado pelos partidos de esquerda.

Isso traz finalmente os partidos à esquerda do PS a um cenário de governação, ainda que indirecta; e essa mudança, mesmo que não dure a legislatura - e não deverá durar - deve ser saudada. O argumento da tradição não colhe, simplesmente - o facto de as coisas se terem passado de certo modo até agora não significa que, com circunstâncias diferentes, se deva continuar o mesmo caminho. Além disso, 40 anos não é nada.

Esta é, portanto, uma primeira oportunidade para a esquerda em Portugal - a primeira oportunidade de sentar-se à mesa, acertar posições e, a partir de pequenos assuntos mas com magnitude crescente, finalmente traduzir o facto do Parlamento ter frequentemente uma maioria de esquerda em algo concreto.

Essa primeira oportunidade é perpendicular a outra, bem mais imediata: a primeira oportunidade da esquerda é a última oportunidade de António Costa. Este factor coloca uma sobrecarga de pressão nestas negociações: ou António Costa alcança um acordo histórico entre os três partidos de esquerda, ou o frágil balão de ar quente que o mantém na liderança e Costa é forçado a uma aterragem de emergência num congresso extraordinário onde - e este é o conceito que a Ciência Política usa - vai ouvir das boas.

Facebook

Networked Blogs

Arquivo

  1. 2016
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2015
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2014
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D