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Instituto Público

Um ponto de encontro de ideias.

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A queda da coligação e os amanhãs que cantariam

 

 

O acordo entre o PS e os restantes partidos de esquerda com assento parlamentar foi formalizado. A partir de agora, é uma questão de tempo até um governo de esquerda tomar posse. 

 

Altura ideal, portanto, para prometer o que não vai existir: se a coligação fosse governo, o futuro seria risonho e todos dariam as mãos. Entretanto, a estimativa da devolução da sobretaxa de IRS, tantas vezes prometida durante a campanha eleitoral, caiu de 35% para 9%

 

O governo-que-amanhã-cai ficou subitamente disponível para negociar tudo o que se recusou a negociar até aqui. É fácil perceber porquê: este governo sabe que não vai governar. Aliás, não vai governar nem quer governar - basta olhar para a composição deste governo para perceber isso. O risco que o PS está a tomar permite à coligação deixar-se expulsar da governação, e esperar sem esforço na oposição. Se o acordo à esquerda falhar, os partidos de direita sabem que recuperarão o poder de mão beijada. 

 

Por isso, o importante agora é fazer declarações, marcar posições e guardá-las para mais tarde recordar. Passos monta um governo e dá-lhe um programa cheia de brinquedos para a esquerda se entreter, como um Ministro da Cultura - uma Ministra, até! - e de outras coisas que a esquerda tem a mania de insistir. Até às perguntas e reivindicações do PAN se há-de dar um jeitinho - ou dar-se-ia, não fossem estes oportunistas do PC, há 40 anos a vender os seus valores por poleiro, apoiar um governo e arruinar Portugal. 

 

Um governo PS apoiado por CDU e BE vai mesmo acontecer. Quando o governo da coligação cair, Passos Coelho, Portas e os seus poderão dedicar-se à narrativa que já aperfeiçoaram: a esquerda veio roubar Portugal da estabilidade dada ao país por quem apresentou uma demissão ‘irrevogável’ e fez as taxas de juro galopar. São os mesmos, exactamente os mesmos, que agora gritam “vergonha” a um governo que reúne a maioria dos votos. 

 

Passos faz o papel de estadista-até-às-últimas-consequências, Portas o de virgem ofendida. Os jotas batem no peito e anunciam a quem os queira ouvir a tempestade e o ‘dia negro’ que se abate sobre Portugal, enquanto choram os amanhãs que cantariam se a coligação fosse governo. Esta é o habitat perfeito na política portuguesa: ora há prazer mais doce que ser governo sem precisar de governar? 

 

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