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Instituto Público

Um ponto de encontro de ideias.

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Marcelo, o camaleão: das equações à segunda volta

 (Corrida Presidencial, de HenryCartoon)

Subestimar a importância de umas eleições presidenciais, é o caminho ideal para que o mais alto cargo da nação se afunde no vazio que assistimos nos últimos dez anos em Belém. Anos de uma ausência que acabou por se notar demasiado no final deste último ano, pela inexistência da necessária coerência, independência e isenção que a relevância desse cargo exige.

Sobre o último Presidente da República ficam os meus dois primeiros e últimos escritos neste blogue, bem como este pequeno parágrafo. Adiante.

 

Em primeiro lugar, não creio que estas sejam umas eleições excepcionalmente participadas: pela carência do mediatismo que as máquinas partidárias conseguem impulsionar em outros momentos eleitorais; por ainda há menos de 6 meses ter ocorrido um outro acto eleitoral, mais dispendioso e ao qual os Partidos, seguindo um quadro de prioridades, atribuem mais importância; e por último, pela crescente subvalorização do cargo Presidencial, que é de forma errónea caracterizado como meramente institucional e leva a que as pessoas o vejam como menos vital para os destinos da nação. Não há o típico alarido eleitoral, que na verdade nunca diminuiu abstenção nenhuma, mas pode levar a que o número de abstencionistas nestas eleições seja ainda mais elevado.

Marcelo Rebelo de Sousa, um dos Professores, mediaticamente induzido desde há 15 anos como principal candidato ao cargo, pode muito bem arrecadar com as consequências dessa abstenção. O eleitorado mais conservador da direita irá certamente votar, como sempre faz, no seu candidato. Não creio é que isso seja condição suficiente para que Marcelo vença já na primeira volta, porque o outro lado do seu eleitorado, os simpatizantes do sorriso e da simpatia, poderão não ter motivação suficiente para sair de casa e eleger o camaleão da política portuguesa.

 

As sondagens mais recentes podem encorajar esta visão, tornando a segunda volta bem mais real do que se pensava. A sondagem da Universidade Católica, com uma margem de erro de 1,7%, revela uma intenção de voto em Marcelo Rebelo de Sousa entre os 50,3% e 53,7%, em que o limite mínimo do intervalo de confiança (95%) não permite que o candidato obtenha os necessários 50% + 1 para ganhar à primeira. O estudo da Intercampus, com uma margem de erro de 3%, revela uma intensão de voto em Marcelo Rebelo de Sousa entre os 48,8% a 54,8% e mais uma vez é discutível a sua eleição à primeira volta. Outra sondagem, da Aximage, atribui uma intenção de voto a Marcelo entre os 48,8% e os 54,2% (margem de erro de 2,70%). Afinal parece que até a sorrir o Professor deixa dúvidas.

Marcelo não é portanto, como dizem alguns meios de comunicação social, “absoluto”. Na verdade, não é mesmo absoluto em coisa nenhuma. Nem sequer a dar opinião. Tanto diz que sim, como diz que não, tanto é contra como é a favor, tanto diz que faz, como não faz. Mas quem não gosta de um sorriso, não é? É simpático o senhor. É fixe, o Professor. E o Presidente Marcelo é o quê? É (x).

Eleger Marcelo seria certamente eleger o valor de (x). O resultado de uma equação cujas premissas ninguém conhece e se alteram a todo o instante. Marcelo tanto é a + b = x , como é z + y = x. E como é que se revolve uma equação dessas em termos políticos? Creio que até para o melhor matemático isso seja uma tarefa bastante difícil. Eleger Marcelo seria eleger a dúvida, a falsidade, a meia verdade e o vazio. Um vazio que tal como no passado, pode mais tarde ser revelador da inexistência da necessária coerência, independência e isenção que esse cargo exige e até hoje foi nula. Até o mandatário ou mandatária da sua campanha tornou-se uma incógnita a dois dias das eleições.

Não quero uma incógnita à frente da nação. Não quero um valor de (x), tão mutável quanto o vento. Não quero a falta de seriedade a representar Portugal ao mais alto nível. Não quero um Meio-Homem como Presidente.

 

Vemo-nos na segunda volta, para que o mais íntegro dos candidatos nos represente a todos, com a necessária isenção partidária e coerência. Há outro Professor para além do Professor Marcelo. Há um candidato a Presidente sem medo de existir, de causas claras e conhecidas, Humano e verdadeiro, independente e superior à mediocridade de interesses não conhecidos. Há um Presidente que não faz da omissão um estilo e do silêncio um resguardo.

Há um outro Professor, que bebe a coragem até de um copo vazio.

Há outro Professor para além de Marcelo.

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