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Instituto Público

Um ponto de encontro de ideias.

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Não é com mais terror que podemos vencer o terror

Na última semana a seguir aos atentados de Paris o terror tem-se instalado por toda a Europa. Por mais que tenhamos presente que o terror não deve vencer, que não deve mudar o nosso estilo de vida, os nossos valores e a forma como celebramos a vida, é por vezes inevitável não pensar que um dia podemos ser nós vitimas de um destes ataques. Tendo consciência que ataques como o de Paris têm lugar em outras partes do mundo, foi particularmente doloroso assistir ao que aconteceu em Paris devido aos laços emocionais que muitos de nós partilham com a cidade, com os parisienses e com os valores que com eles dividimos. Especialmente porque nada justifica a morte de inocentes de uma forma brutal seja em Paris seja em outra qualquer parte do mundo.

Os líderes europeus falam hoje de guerra. De facto muitas das principais capitais europeias parecem autênticos cenários de guerra. Em Bruxelas, por exemplo, na última semana e principalmente hoje, que o nível de ameaça terrorista subiu para 4, é comum ver-se soldados armados nas ruas, próximo das instituições europeias, nas estações de comboio e nos principais pontos turísticos da cidade.

Por um lado faz sentido todo este aparato a seguir à barbárie que se assistiu em Paris, em Beirute em Bagdad, na Síria, não só nas últimas semanas, mas nos últimos anos de Guerra na Síria. A questão é que a ameaça já existia antes dos ataques a Paris esta semana, mas só depois de acontecer algo de catastrófico é que as medidas de segurança são aumentadas, quando deviam estar presentes de uma forma constante e não desta forma assustadora.

Desde o 11 de Setembro, e da Guerra instaurada ao terror que se procuram soluções para o combate ao terrorismo. Soluções essas, que à luz dos acontecimentos do último ano, tomando como exemplo Paris, parecem estar muito aquém de resolver alguma coisa. A Guerra ao Terror de Bush só conduziu a mais caos e a externalidades que em muito ajudaram à situação em que o mundo se encontra hoje.

As grandes máquinas burocráticas das Democracias ocidentais, os serviços de inteligência sofisticados que possuímos acabam por ter deficiências, sobretudo porque existe falta de comunicação entre eles. As administrações têm sérias dificuldades em adaptar-se às transformações da realidade internacional, em agir e pensar fora da zona de conforto, “outside the box”, e por isso não assistimos a formas inovadoras de combate ao terrorismo. Isto é percetível no discurso de François Hollande quando afirma que estamos em guerra.

Por todo o lado assiste-se ainda a uma crescente islamofobia e a uma culpabilização dos refugiados, que por sua vez também fogem desta realidade na Síria. Terreno perfeito para partidos como o Front National agirem e se apoderarem da opinião pública. Algo que não podemos deixar acontecer.

Numa conferência no Parlamento Europeu em Bruxelas esta semana, organizada pelo grupo ALDE (Alliance of Liberals and Democrats for Europe), discutiu-se o Extremismo, como o combater e encontrar soluções de governança na região do Médio Oriente e Norte de África.

É possível chegar à conclusão que é impossível combater este extremismo na Europa sem antes se perceber a complexidade do conflito na Síria, e sem se encontrarem verdadeiras soluções para combater a violência na Síria, que passa por travar a venda de armas, por ajudar a população e as futuras gerações que têm um futuro condicionado por esta guerra. A solução para a Síria não passa por mais bombardeamentos. A solução para a Síria tem de ser uma solução politica. A solução para o combate ao Estado Islâmico também não se encontra em mais bombardeamentos mas sim numa frente inteligente e unida. Não é com mais terror que podemos vencer o terror.

No final do primeiro painel da conferência Haitham K. Al Maleh , sírio, com 85 anos, juiz e activista pelos direitos humanos emocionou-se depois de recitar uma lista com os números de mortos na Síria, com o numero de refugiados , com o numero de crianças que não podem frequentar a escola, etc. Emocionou-se , chorou, houve um silêncio colossal na sala de conferência , e finalmente terminou o seu discurso afirmando que o que mais deseja é justiça. E que "não pode haver paz sem justiça"! Estas palavras tocam e ecoam nas nossas mentes.

Tal como ele também queremos soluções a longo prazo, seja na Síria, na Europa, para o mundo. Por mais que possa parecer utópico deve tornar-se uma realidade.

imagem:Grand-Place, Bruxelles, 21.11.2015, http://www.swissinfo.ch/eng/reuters/brussels-put-on-maximum-alert-on-risk-of-paris-like-attack/41792474

 

 

 

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