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Instituto Público

Um ponto de encontro de ideias.

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O debate

Já em Junho Pacheco Pereira parecia antecipar o risco que a campanha do PS corria. Numa passagem quase profética, cobriu o que se passou de Junho até ontem: 

 

"O PS ainda não percebeu em que filme é que está metido. Continuem com falinhas mansas, a fazer vénias para a Europa ver, a chamar “tontos” ao Syriza, a pedir quase por favor um atestado de respeitabilidade aos amigos do governo, a andar a ver fábricas “inovadoras”, feiras de ovelhas e de fumeiro, a pedir certificados de bom comportamento a Marcelo e Marques Mendes, a fazer cartazes sem conteúdo – não tem melhor em que gastar dinheiro? – e vão longe."

 

Até ontem. Porque ontem, finalmente, Costa parece ter aprendido a lição que tanto os silêncios, como a falta de vivacidade ou a tragicomédia em dois actos dos cartazes valorizavam mais a coligação do que cada palavra (não) dita por Passos Coelho. O debate de ontem deixou finalmente ver um Costa que parece verdadeiramente empenhado no que diz e que defende e que não está a representar um papel - apesar de muitos papéis terem sido usados ontem, e bem, por Costa. 

 

A "calma olímpica" (penso ter ouvido a expressão a Pedro Mexia) de Passos Coelho também sofreu finalmente um primeiro abalo. Ao mencionar Sócrates ao ponto da gratuitidade, ficou provado que a postura da PáF (escrever PáF no teclado é o equivalente moderno a um trava-línguas) de não comentar o processo de Sócrates só chega até ao ponto em que isso for beneficial eleitoralmente. Se não correr bem, então "não se nota a diferença" entre debater com Costa ou Sócrates; um negócio entre duas partes em relação a terrenos torna-se "o senhor só equilibrou as contas da câmara com dinheiro que o governo lhe deu" - com Passos Coelho a queixar-se, qual pai que se arrependeu da mesada do filho - e golpes baixos afins, aí vale tudo. 

 

Duas notas finais: não há-de ter sido para especialistas em comentar dedos mindinhos dos candidatos, mas pessoalmente penso que Costa ganhou o debate em momentos como aquele em que denunciou a verdadeira pouca-vergonha (e acho que nunca usei esta palavra antes) que foi o programa "vem". Quando esse assunto apareceu no debate, fiquei tão irritado quanto tinha ficado quando foi anunciado - e isso deve ser parte de aquilo a que aspira um líder da oposição, mostrar as falhas do governo anterior.

 

A outra nota é esta: ao impedir António Costa de responder a uma acusação directa de Passos Coelho para responder à indubitavelmente muito mais importante "vai visitar Sócrates à Alameda?", Judite de Sousa foi o equivalente ao árbitro que não vê uma grande penalidade à frente dos olhos. Felizmente, não influenciou o resultado. 

 

 

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