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Instituto Público

Um ponto de encontro de ideias.

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Transportes Macedo: o último comboio para as legislativas

O facto é este: Miguel Macedo, até agora Ministro da Administração Interna, demitiu-se. No seguimento dos desenvolvimentos da ‘operação Labirinto’ (um dia hei-de descobrir quem é o criativo da PJ que se dedica a nomear operações), Macedo concluiu que não tinha a autoridade necessária para continuar a desempenhar o cargo que até aí ocupava.

 

Dificilmente a demissão de um ministro suscitou tanto aplauso: partidos do governo e da oposição, jornalistas e comentadores, todos fizeram fila para elogiar o gesto do agora ex-ministro. De facto, Macedo reagiu bem e de forma clara: ao aperceber-se que uma sucessão de eventos tornavam a sua continuidade no cargo insustentável, demite-se, na intenção declarada de salvaguardar o a autoridade do governo e a sua própria imagem.

 

Há, no entanto, um imediato efeito ricochete (um de dois): a demissão de Macedo faz com que a gravidade puxe Crato e Teixeira da Cruz ainda mais para baixo. A atitude correta do primeiro esmaga ainda mais a autoridade dos últimos dois para se manterem nas pastas que tutelam.

 

Esta demissão, este escândalo – mais uma, mais um – vêm debilitar a imagem já depauperada deste governo. Até aqui, a permanência dos ministros da Educação e da Justiça denunciava um governo em gestão até ao fim do seu mandato. O primeiro-ministro recusar-se-ia a fazer uma remodelação governamental profunda por, simplesmente, não valer a pena.

 

O segundo efeito ricochete é este: a demissão de Macedo (após insistência do próprio para abandonar o cargo) faz cair este castelo de cartas. Com um ministro como o da Administração Interna a abandonar o cargo, não há razão para evitar uma remodelação. Quaisquer argumentos que gravitem em torno da ‘estabilidade’ não colhem, visto o caos que os sistemas educativo e judicial mergulharam já há meses. A demissão de Macedo abre uma curiosa última oportunidade para o governo ganhar fôlego e assumir alguma ambição em governar o país depois de 2015. Uma remodelação governamental que traga novos rostos na Educação, Justiça, Administração Interna e o calibrar de algumas funções na gestão interna do executivo podem servir de trampolim para a esperança da coligação. Macedo é o último comboio do governo para o pós-2015.

 

No entanto - e felizmente para quem, como este mui humilde ser que vos escreve, não aguenta mais este governo – as probabilidades de Passos Coelho proceder a essa remodelação são diminutas, tendo em conta o historial do PM desde 2011. A mesma insistência que, honra lhe seja feita, segurou o governo depois da ‘operação Irrevogável’ de Portas (se houver uma vaga na PJ para nomear operações, por favor considerem o meu CV para o lugar. Passo recibos verdes), joga agora e já há muito tempo contra o próprio. Passos Coelho permaneceu sempre vidrado numa estabilidade governativa que já há muito não existe. As três demissões que este governo conheceu – Gaspar, Relvas e Macedo – acontecerem (à excepção, talvez, desta última) quando o clima à volta do ministro em questão estava já bem para além do irrespirável. Preferiu sempre esvaziar a pressão mudando a uma escala nunca antes vista as secretarias de estado.

 

Passos Coelho vai, muito provavelmente, rasgar o bilhete que Macedo lhe deixou com destino a São Bento em 2015. Provavelmente enquanto resmunga ‘que se lixem as eleições’.

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