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Instituto Público

Um ponto de encontro de ideias.

Instituto Público

Um ponto de encontro de ideias.

Foram quatro disto. Venham mais quatro

No início era cortar nas gravatas e no ar condicionado. No início ia tudo em económica, apesar de ser a TAP a oferecer as passagens em executiva ao primeiro-ministro e aos membros do governo. No início a reforma do Estado e o reequilibrar das contas públicas ia ser feito com recurso a unicórnios, apesar da vontade de “ir além da troika” (isto para não entrar na discussão sobre quem a chamou). A austeridade expansionista ia resultar em Portugal da mesma maneira que a destruição criativa de Schumpeter é fácil de ler. Uma boa e grande (tal como a maioria que Passos agora pede) geração de académicos portugueses aterrava em Lisboa para equilibrar as finanças e dinamizar a economia - tudo ao mesmo tempo. No início coexistiam Portas com Gaspar, Relvas com Paulo Macedo - e o outro Macedo também.

 

No início era assim. Depois deixou de ser. O melhor povo do mundo afinal era piegas. Deixou de ser bonito e passou a ser a doer. Quando foi preciso começar a fazer cortes cegos, fizeram-se. Quando não foi preciso também. Veio o aumento brutal de impostos. Congelamento e cortes de salários, de pensões. De prestações sociais. Ideologia e incompetência confundiam-se e dançavam uma valsa que resultou numa das maiores destruições de riqueza que o país conheceu - esta sem grande criatividade. O país parou, primeiro, e retrocedeu, depois.

 

Para quê? Para nada. O défice desceu mas continua fora dos eixos (e com a não-venda do Novo Banco, voltou para níveis de 2011), a dívida pública galopou. A retoma económica é mais estatística que real e impulsionada pela política do BCE, à qual este governo foi alheio. Pelo meio, fica para a história uma das maiores vagas de emigração que Portugal conheceu, seguramente a maior em democracia. Isso é o que fica escrito. O que não fica é isto: a maior parte dos portugueses que saíram, com formação superior, deixaram permanentemente de considerar Portugal um destino viável. Não - não só - porque não precisam, mas porque não são dados como precisos. A única resposta a esta sangria foi um programa chamado 'Vem', que vale menos que as três míseras letras que ocupa. Será com a ausência deles e a falta de recursos demográficos com que se argumentará pela privatização da Segurança Social. A ecologia do nojo alimenta-se a si mesma.

 

Aconteceu muito mais. Houve a tragicomédia do irrevogável. O Relvas, os cursos que o Relvas e PPC organizaram na Tecnoforma, o curso que Relvas fez-mas-não-fez e toda uma nuvem separada de suspeitas que nunca serão esclarecidas. Por falar em não-esclarecimento, as sombras do caso Portucale, dos submarinos, permanecerão também, estando os casos arquivados ou não. Os vistos gold resultaram naquilo que era óbvio que resultariam: corrupção, abuso de poder, lavagem de dinheiro - a prostituição de um país por 500 mil euros de cada vez. Privatizou-se isto, aquilo e o outro a preços de saldo e com a pior publicidade possível, não raras vezes em contornos pouco claros.

 

Outros assuntos existiram que dada a magnitude do que foi acima referido já ninguém se lembra, mas que num governo normal ninguém se esqueceria: a justiça parou. Já ninguém se lembra? A justiça parou! A meio da segunda década do século XXI, a justiça parou em Portugal. Por incompetência do ministério da justiça. Não houve consequências, não houve demissões. Despediram-se uns pobretanas da cauda da hierarquia e pronto, siga pra bingo. Já ninguém se lembra? Ah, também se fez uma lista de pedófilos que por si só é suficiente para rasgar as credenciais políticas liberais de qualquer governo. E a educação? Substituíram-se programas escolares que fizeram Portugal finalmente subir nos rankings da OCDE por princípios ideológicos - a tal dança da incompetência com a ideologia. Professores que não sabiam onde seriam colocados já bem a meio de Setembro. Também não houve consequências. O mesmo ministro que antes era o auto-intitulado campeão da exigência nas escolas encabeçou o ministério responsável por exames tão fáceis que foram notícia por isso mesmo. O ministro da Segurança Social passou 4 anos entretido a inventar milionários entre os pobres - sem problema nenhum.

 

Havia/não havia uma lista VIP nas finanças. Ofereceram-se uns Audis, pagos com o dinheiro que se sacou num aumento brutal, a quem pedisse facturas com o café e o Estado passou a ser uma Serenella Andrade institucional com a ‘Factura da Sorte’.

 

A incompetência não conheceu limites, porque não conheceu entraves - a oposição que podia fazer frente a isto refugiava-se em ‘abstenções violentas’ e não tinha pressa nenhuma de mudar nada do que descrevi acima.

 

Foi isto que aconteceu nos últimos quatro anos. O resto é circo. Mas de circo gosta Portugal. Venham mais cinco quatro, de uma assentada que eu pago já.

Corbyn: This revolution will not only be tweeted - it will actually change something

 

The election of Jeremy Corbyn to the Labour leadership brought with it a torrent of adverse reactions, coming from everyone between the centre-left and UKIP. While an old man with a rather non-incendiary style was selling out  filling theatre halls and other venues across the UK (Scotland included, mind you), have-been opinion makers drew scenarios that would make Nostradamus blush: from a vision of London engulfed in riots and civil war to proposals for heart transplants, everything was said about Corbyn. The excellent political analysis magazine GQ also found necessary to join in the discussion on how bad Corbyn is for Britain.

 

Now, I'm not the biggest supporter of Corbyn and I did think twice before supporting him. He comes from an area which is usually not where I see myself within the Left. That being said, not only can I clearly see why he dragged so many people, old and new, disillusioned with the status quo, I can side with that too. Say what you want about who Corbyn supporters are and I might even partly agree. But international affairs aside, I agree with his proposals.

 

More: Corbyn might prove the single greatest thing that happened to the Left in recent years. I know this will be hard to digest for many, but it does look like that. Here's why: Not only Corbyn believes in what he says, he also acts like it. And if this isn't what matters the most to me, it must be for many of those supporters who cheered Syriza's win as the greatest breakthrough for revolution in decades and then found themselves drowning in Varoufakis-related bafoonery. He's not a status quo politician, but he's been around for long enough for everyone to know his actions are coherent with his words. And he's a moraliser, even if that scares so many. I won't go as far as to say he'll be an European Mujica (did I just say that?), but he will definitely put the moral dimension back in the debate.

 

"Oh, but Corbyn isn't electable". So what? Does anyone really believe either Burnham, Cooper or Kendall stood a chance against Boris Johnson in 2020? (Besides, Labour can only take one leader like Ed Miliband per decade. The quota was already reached, thank you.) This has been voiced by many, and I can only agree: Corbyn will instead open new debates and force discussions on issues forgotten so far. The first PMQs were a crystal clear example of that. And by the way, how unelectable is Jeremy Corbyn, really? When his candidacy for Labour leader was put forward, everyone found it nothing short of laughable. Maybe by 2020 austerity and pig-ish scandals will make the Conservatives retaining power a much less likely scenario than what it looks now. 

 

Lastly, he most definitely is not the most Europeanist leader the British Left has seen. But European Social Democratic parties badly need a leader that pushes European Socialists back where they belong. The PES is currently a disgrace. 

 

It's true that few other times has Labour had such a left-wing leader. But it is just as true there were few other times in which such a left-wing leader was as needed. 

The left spent too much of its tim e recently playing lip service to ideals it had given up on. That is why had no response from the Left, who was so pavlovian apologetic it couldn't move. For all his flaws, Corbyn will shake the waters and give to the Social Democratic Left the energy it needs to claim its origins again.

 

P. S. - on a last note (and this is secondary but noteworthy): it is interesting to discuss why the currently-electrifying leaders of this leftist resurgence (Bernie Sanders in the US and Corbyn in the UK) are veteran politicians who were for many years second-rank figures within their own political parties. This Vox article provides a few answer hints. Whatever it is, it certainly surpasses political communication agencies and market-based approaches to political election campaigns.

 

 

O debate

Já em Junho Pacheco Pereira parecia antecipar o risco que a campanha do PS corria. Numa passagem quase profética, cobriu o que se passou de Junho até ontem: 

 

"O PS ainda não percebeu em que filme é que está metido. Continuem com falinhas mansas, a fazer vénias para a Europa ver, a chamar “tontos” ao Syriza, a pedir quase por favor um atestado de respeitabilidade aos amigos do governo, a andar a ver fábricas “inovadoras”, feiras de ovelhas e de fumeiro, a pedir certificados de bom comportamento a Marcelo e Marques Mendes, a fazer cartazes sem conteúdo – não tem melhor em que gastar dinheiro? – e vão longe."

 

Até ontem. Porque ontem, finalmente, Costa parece ter aprendido a lição que tanto os silêncios, como a falta de vivacidade ou a tragicomédia em dois actos dos cartazes valorizavam mais a coligação do que cada palavra (não) dita por Passos Coelho. O debate de ontem deixou finalmente ver um Costa que parece verdadeiramente empenhado no que diz e que defende e que não está a representar um papel - apesar de muitos papéis terem sido usados ontem, e bem, por Costa. 

 

A "calma olímpica" (penso ter ouvido a expressão a Pedro Mexia) de Passos Coelho também sofreu finalmente um primeiro abalo. Ao mencionar Sócrates ao ponto da gratuitidade, ficou provado que a postura da PáF (escrever PáF no teclado é o equivalente moderno a um trava-línguas) de não comentar o processo de Sócrates só chega até ao ponto em que isso for beneficial eleitoralmente. Se não correr bem, então "não se nota a diferença" entre debater com Costa ou Sócrates; um negócio entre duas partes em relação a terrenos torna-se "o senhor só equilibrou as contas da câmara com dinheiro que o governo lhe deu" - com Passos Coelho a queixar-se, qual pai que se arrependeu da mesada do filho - e golpes baixos afins, aí vale tudo. 

 

Duas notas finais: não há-de ter sido para especialistas em comentar dedos mindinhos dos candidatos, mas pessoalmente penso que Costa ganhou o debate em momentos como aquele em que denunciou a verdadeira pouca-vergonha (e acho que nunca usei esta palavra antes) que foi o programa "vem". Quando esse assunto apareceu no debate, fiquei tão irritado quanto tinha ficado quando foi anunciado - e isso deve ser parte de aquilo a que aspira um líder da oposição, mostrar as falhas do governo anterior.

 

A outra nota é esta: ao impedir António Costa de responder a uma acusação directa de Passos Coelho para responder à indubitavelmente muito mais importante "vai visitar Sócrates à Alameda?", Judite de Sousa foi o equivalente ao árbitro que não vê uma grande penalidade à frente dos olhos. Felizmente, não influenciou o resultado. 

 

 

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